Open House Lisboa – Um olhar diferente sobre a cidade

“Quantos de nós param para olhar o festim que é a arquictetura lisboeta? Mesmo se entrarmos num grande edifício público, sabemos qual o factor intrínseco que o torna especial? Open House dedica-se precisamente a desvendar os segredos da arquitectura para que todos possam dela desfrutar.” – Herbert Wright — Editor e crítico de arquitectura

O Open House é um evento internacional do qual fazem parte cerca de 50 cidades em todo o mundo. Open House Lisboa é um evento organizado pela Trienal de Arquitectura de Lisboa, onde é possível explorar mais de 70 espaços que percorrem mais de 500 anos de arquitectura e história portuguesa. É uma oportunidade única de ver com outros olhos os lugares que já conhecemos e redescobrir a cidade através de visitas gratuitas.

Como funciona?

No Open House Lisboa existem três tipos de visita, todas gratuitas:

Visita Livre – não existe acompanhamento e a visita é feita dentro do horário estipulado.

Visita Acompanhada – a visita é orientada pelos voluntários com uma frequência regular dentro do horário do espaço.

Visita Comentada – o autor do projecto ou um especialista é convidado a conduzir as visitas com horas definidas.

A primeira vez que tomei conhecimento desta iniciativa foi em 2015. Se tiveres curiosidade em saber quais os espaços que estavam incluídos nesta edição, espreita aqui

No entanto, este evento costuma realizar-se na reta final do mês de Setembro todos os anos desde 2012, ano que teve início em Portugal, mais concretamente na capital portuguesa. Para além de Lisboa, também agora o Porto é uma das cidades anfitriãs deste projecto.

Por dia é possível visitar o máximo de espaços que se consiga, no entanto, acredito que cerca de 3 ou 4 por dia deve ser o ideal, se a ideia for mesmo aproveitar a visita. O horário habitual de abertura de museus, onde habitualmente não é necessária marcação prévia, é às 10h. Faça chuva ou sol, é um programa ideal para olhar com encanto todos os locais que dele fazem parte e, sem dúvida, é uma actividade adequada para toda a família

Este ano, devido à pandemia que enfrentamos, o Open House 2020 adoptou um formato diferente, mas inovador, e adaptado às restrições que esta fase nos obriga. Na edição deste ano, não está incluída a visita a espaços e a entrada em apartamentos, museus ou casas privadas. Assim, as pessoas são convidadas a percorrer Lisboa de forma independente e segura, através de passeios sonoros narrados na 1ª pessoa por oito personalidades de diferentes áreas da cultura. Para veres todos os detalhes deste programa clica aqui.

Na totalidade existem 8 roteiros disponíveis, variados na duração e dificuldade da caminhada. Para tal, basta descarregar os oito podcasts com duração entre 30 a 90 minutos ou optar pela versão em streaming (no Soundcloud ou Spotify), e com o nosso telemóvel acompanhamos a viagem sonora. É uma iniciativa singular de ouvir, ver, sentir e viver o espaço público lisboeta.

Por estar a aproximar-se a altura do novo evento, venho partilhar a experiência de 2015, onde tive a oportunidade de visitar 7 locais dos disponíveis dessa edição:

Museu do Dinheiro - Sede do Banco de Portugal

Visitar a Sede do Banco de Portugal é uma oportunidade de ver e sentir a história de Lisboa num local que é 2 em 1. Ou melhor dizendo, 3 em 1. Sim, no local onde actualmente se situa o Museu do Banco de Portugal, situava-se a antiga Igreja de São Julião, e também, descoberta apenas em 2010, as ruínas da muralha de D. Dinis.

A primitiva Igreja de São Julião não se encontrava no local que ocupa hoje, no entanto, com a destruição causada pelo terramoto de 1755, a igreja foi reconstruída neste local. Em 1910, o Conselho Geral do Banco de Portugal decidiu comprar a antiga Igreja de São Julião e os seus anexos, devido ao crescimento do Banco. Para surpresa das surpresas, em 2010, aquando das obras de reabilitação da sede do banco, foram encontradas no subsolo da Igreja de S. Julião, ruínas da Muralha de D. Dinis. Dentro do Museu do Banco de Portugal é possível descobrir vários núcleos temáticos que focam os artigos-padrão, o dinheiro no mundo e a sua história ao longo dos séculos, o fabrico da nota e da moeda, o Banco de Portugal principais atribuições, e o papel do dinheiro na vida do cidadão. Para além disso é possível também fazer parte da experiência interativa recorrendo ao apoio da tecnologia multimédia para mostrar o seu património.

As entradas para visita à sede do Banco de Portugal são gratuitas e disponíveis de 4ª a domingo, das 10h00 às 18h00, sendo que a última entrada é às 17h30. Para mais informações, ou planear a sua visita, consulte o site.

Casa dos Bicos - Fundação José Saramago

Situada no bairro de Alfama, a Casa dos Bicos é considerada uma das casas mais peculiares de Lisboa pelos seus prismas em ponta de diamante. Inspirada na arquitectura renascentista italiana, a casa foi construída no século XVI. A Casa dos Bicos, assim tratada pelo povo, serviu ao longo dos anos distintas funções, tanto privadas como públicas, sendo mesmo utilizada, durante algum tempo, como armazém de bacalhau.

Em 2012 recebeu a Fundação José Saramago, que pretende preservar e dar a conhecer a vida e obra do consagrado Nobel da Literatura. Nesta casa poderá conhecer melhor o escritor José Saramago, desde a época em que traduzia livros até às obras que escreveu; um percurso que contempla algumas curiosidades pelo meio. Por falar em curioso, sabiam que as cinzas de José Saramago foram espalhadas à frente da Casa dos Bicos, mesmo ao lado da oliveira que lá se encontra?

Aqui também se pode ver uma parte da Cerca Moura, que se encontra logo no 1º piso e que faz parte do percurso das muralhas da cidade de Lisboa que em tempos aqui passava, e que actualmente se encontra recuperada.

O custo de um bilhete normal para entrada na Fundação José Saramago é de 3€. As visitas podem efectuar-se de 2ª a sábado, das 10h00 às 18h00, sendo que a última entrada é às 17h30. Para mais informações, ou planear a sua visita, consulte o site.

Estufa Fria

Situada em pleno Parque Eduardo VII, a Estufa Fria pode passar muitas vezes despercebida. Mas o que não passa despercebido é a natureza ali presente, fácil de confundir com uma realidade ausente da restante cidade de Lisboa.

Foi construída numa antiga pedreira de basalto onde se localizava uma nascente e começou por ser aproveitada por um jardineiro para albergar espécies de plantas oriundas de várias partes do mundo, que teriam como destino os jardins da Avenida da Liberdade. No entanto, com a chegada da I Guerra Mundial, tudo foi adiado e as plantas começaram a crescer e a dar uma nova vida a uma simples pedreira, criando a Estufa Fria, inaugurada oficialmente em 1933. Em 1975, a Estufa Fria ganhou mais vida, com o acrescento da Estufa Quente e da Estufa Doce, com plantas equatoriais, tropicais e cactáceas.

Pode visitar a Estufa Fria todos os dias, excepto datas ocasionais, das 09h00 às 17h00, no horário de inverno, ou das 10h00 às 19h00 no horário de verão. As últimas entradas são feitas 30 minutos antes do fecho. 

A entrada simples tem um custo de 3,10€, mas domingos e feriados, até às 14h a entrada é gratuita. Para mais informações, ou planear a sua visita, consulte o site.

Museu Nacional do Azulejo

O Museu Nacional do Azulejo (MNAz) é um dos mais importantes museus nacionais. A sua colecção abrange a produção azulejar da segunda metade do século XV até à actualidade. Além do Azulejo, a colecção integra peças de cerâmica e porcelana dos séculos XIX a XX. No início da exposição permanente encontra-se um pequeno núcleo que ilustra os materiais e técnicas de manufactura do azulejo. Depois desta pequena introdução, o percurso que se segue tem uma ordem cronológica.

O MNAz dá, assim, a conhecer a história do Azulejo em Portugal e procura chamar a atenção da sociedade para a necessidade e importância da sua protecção.

Sabia que O MNAz conta com um amplo programa de voluntariado que oferece ao seu público a possibilidade de participar activamente na preservação e divulgação das suas colecções?

As visitas ao Museu Nacional do Azulejo são feitas de 2ª a domingo, das 10h00 às 17h00, sendo que encerra entre as 13h00 e as 14h00. O bilhete normal tem um custo de 5,00€. No entanto, a entrada é gratuita aos domingos e feriados até às 14h00.

Para mais informações, ou planear a sua visita, consulte o site

Palácio Nacional da Ajuda

A visita ao Palácio Nacional da Ajuda foi guiada e comentada pelo Arquitecto Guilherme Pedrosa, que fez a sua dissertação de mestrado sobre este palácio e que, por nos ir dando informação clara mas esclarecedora, tornou, de certa forma, a nossa visita mais autêntica. Este palácio está situado no alto da colina da Ajuda com vista para o Tejo. Depois do terramoto de 1755, a família real mudou-se para a zona da Ajuda, onde os terrenos eram mais seguros, habitando o Paço Real, um edifício em madeira, também conhecido como Barraca Real. No entanto, em 1794, um incêndio acidental destruiu esta habitação e surgiu a necessidade de construir novos aposentos reais, desta vez edificados em pedra e cal.

Apesar da grande projecção arquitectónica que hoje conhecemos, o que hoje se vê não representa o ambicioso projecto inicial, que contemplava a construção de um dos maiores palácios da Europa, com jardins a perder de vista. Isto deve-se ao facto de, em 1807, devido às invasões francesas, a família real ter partido para o Brasil. Mesmo sendo um projecto inacabado, o Palácio Nacional da Ajuda é uma obra majestosa e digna de se visitar, se possível, com tempo, para o contemplar na sua plenitude.

O palácio foi construído em dois pisos, o piso térreo e o piso nobre, que permitem perceber como se desenrolavam os afazeres diários da família real. No piso térreo, com um carácter mais familiar, encontram-se os aposentos da família real, enquanto o piso Nobre era destinado às recepções de gala e aqui não passam despercebidas a Sala dos Grandes Jantares, onde ainda hoje decorrem banquetes da Presidência da República e a Sala do Trono, cujas cadeiras são orgulhosamente de origem portuguesa.

O Palácio Nacional da Ajuda foi residência oficial da família real portuguesa desde o reinado de D. Luís I até ao final da Monarquia, em 1910, e é Monumento Nacional aberto ao público como museu desde 1968.

O palácio encontra-se aberto ao público de quinta a terça-feira, das 10h às 18h, sendo que se encontra encerrado em dias ocasionais. O preço normal do bilhete é 5€, no entanto a entrada é gratuita aos domingos e feriados até às 14h00.

Para mais informações, ou planear a sua visita, consulte o site.

O Reservatório da Mãe D’Água das Amoreiras serviu para recolher e distribuir a água conduzida pelo Aqueduto das Águas Livres. A partir do momento que se entra no edifício é possível ver de imediato o tanque/reservatório tem 5.500 metros cúbicos de capacidade e 7.5 metros de profundidade. É visível também a água das nascentes que jorra da boca de um golfinho sobre uma cascata e que converge para o tanque. Este edifício inclui também um terraço panorâmico sobre a cidade de Lisboa.

A este edifício está anexado um outro, a Casa do Registo, de onde partem duas das principais galerias distribuidoras das águas, a do Loreto (que podemos ver numa das fotografias) e a da Esperança.

Pode visitar este núcleo pertencente ao Museu da Água de 2ª a domingo das 10h00 às 17h30, com especial atenção que encerra para almoço das 12h30 às 13h30. O custo do bilhete normal é de 4€, mas no 1º domingo de cada mês é possível visitar gratuitamente.

Para mais informações, ou planear a sua visita a este núcleo pertencente ao museu da água, consulte o site.

Teatro Nacional de São Carlos

O Teatro Nacional de São Carlos, localizado no Chiado e inaugurado em 1793, é a principal casa de ópera de Lisboa. Neste local não é possível, infelizmente, visitar todo o teatro, como os camarins, o palco e os camarotes, por exemplo.

No mesmo largo, mesmo em frente ao Teatro, está uma escultura em bronze em homenagem ao poeta português Fernando Pessoa, pois aí está o local onde ele nasceu.

Esta pode ser boa oportunidade para visitar gratuitamente o Teatro dado que normalmente está dedicado a espetáculos e/ou outros eventos. No entanto, o Teatro Nacional de São Carlos promove a realização de visitas guiadas ao edifício, que podem ser agendadas através do site

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