Lisboa ao Ouvido

Normalmente, nos dias em que queremos conhecer muito um lugar, acordamos mais cedo para aproveitar o dia ao máximo. Uma caminhada por Lisboa, a um domingo, não deixa de ser diferente.

Como disse no meu post anterior, este ano, o Open House Lisboa tem um formato diferente. Ao contrário de entrar em museus, escolas ou casas da capital, o OHL organizou 8 possíveis passeios narrados na 1ª pessoa por oito personalidades de diferentes áreas da cultura. Deste modo, é possível evitar grandes aglomerados de pessoas em espaços fechados, fazendo face à pandemia que enfrentamos atualmente, e somos guiados pela cidade de modo diferente, em espaço aberto.

De modo a aproveitar bem a manhã de domingo, o dia começou cedo, cerca das 8h30. O ponto de encontro para o primeiro passeio escolhido – “Arroios, ao redor” – foi a Fonte Monumental da Alameda, percurso narrado por Leonor Teles.

Partindo do alto do Miradouro da Fonte Luminosa, como também é conhecida, na Alameda, demos início ao percurso seguindo em direção a Arroios. A caminho, atravessámos a Rua Morais Soares, uma das mais movimentadas de Lisboa, onde é impossível ficar indiferente à multiplicidade de pessoas, comércio e sons que ali se fazem sentir. 

Durante cerca de 4 km, fomos recebendo as indicações do percurso, quase como uma “caça ao tesouro” à procura do nome de uma rua, de uma característica de um prédio. Como qualquer caça ao tesouro é perfeitamente normal que a certa altura de distraias, que não tenhas ouvido com atenção onde virar a seguir e encontras-te perdido. Para mim, é isso também a beleza de deambular pela cidade. É a descoberta, é estares perdido, sem uma direção concreta, mas mesmo assim encontrar um rumo. Por outras ruas que não as descritas pelo narrador, lá encontrámos o Bairro das Colónias, assim chamado porque muitas das ruas ali têm nomes de antigas colónias portuguesas – Rua de Angola, Cabo Verde, Macau, Timor, entre outras. Aqui, prédios de diferentes cores chamam a atenção. Adoro estes detalhes, prédios uns ao pé dos outros, coladinhos, um amarelo, outro verde, uns cobertos com azulejos, outros sem. Estes detalhes simples, das cores, das formas das varandas ou das janelas, dão um prazer tão grande observar.

A Rua Angelina Vidal leva-nos em subida até à Graça. Aqui, é de realçar o Bairro Estrela D’Ouro, uma vila operária, diga-se económica, onde habitavam as pessoas menos abastadas que não tinham posses para viver nas novas zonas da cidade. Praticamente a finalizar o percurso, optámos por caminhar em direção ao Miradouro da Graça, ao invés do Miradouro da Senhora do Monte. Aqui, palavras para quê? Uma vista desafogada sobre Lisboa, merece silêncio e contemplação. De facto, uma vista incrível.

A desafiarmos a nossa vontade de começar mais um percurso, escolhemos o “Entre a Vulnerabilidade e a Resiliência”, por Gonçalo Byrne. O passeio começa em Alfama, perto da Estátua de São Vicente, no Miradouro das Portas do Sol. Aqui, subimos umas escadas estreitas, em direção ao Castelo São Jorge, onde efetivamente só observámos o arco da entrada. Continuámos o percurso em direção ao Largo do Chão do Loureiro, onde uns poucos metros à frente, no número 151, vamos utilizar o Elevador “Baixa-Castelo” onde vencemos rapidamente a diferença de altitude acentuada e descemos até à Rua dos Fanqueiros. Continuamos em direção ao Museu do Dinheiro, a Sede do Banco de Portugal. Aqui, apercebendo-nos das horas – já era perto da hora de almoço – percebemos que não conseguiríamos terminar o percurso que nos levaria até ao Largo do Chiado. Decidimos então apreciar a Praça do Comércio e descansar um pouco ao som da água, no Cais das Colunas. Praticamente 10km depois, resolvemos regressar à Alameda de metro e demos por concluído este passeio.

Foi, sem dúvida, uma maneira diferente de conhecer a cidade, aprender a olhar para os edifícios de outra perspetiva, a apreciar os detalhes de cada um, e a ouvir a história por onde passamos. Esta iniciativa da Open House Lisboa, permite-nos descarregar todos os passeios sonoros para podermos usufruir deles mais tarde e, assim, passearmos de forma diferente pela cidade.

Sem dúvida, recomendo.

Para quem quiser perceber como foi a actividade, deixo aqui o link para os áudios dos 8 passeios disponíveis, para que, um dia possam usufruir desta experiência.

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