Gerês – À descoberta

Não há sossego maior que aproveitar o som entoado por uma cascata nos recantos do Gerês. Se o que precisas é de recarregar energia, evitar férias stressantes de idas à praia ou de azáfamas citadinas, a natureza do Gerês pode ser uma boa opção.

Posso-te dizer, que de todas as viagens que fiz, ir ao Gerês foi das melhores a níveis de conseguir descansar ao mesmo tempo que se visitam lugares incríveis. Porque descansar não é só físico, não é só quebrar as rotinas do dia-a-dia do trabalho, é também dar descanso à cabeça. Permitires-te não pensar em nada, abstrair do mundano. E não há melhor remédio do que envolveres-te com o campo, o rural, a natureza.

A minha experiência no Gerês teve lugar em setembro de 2019 e aproveito para dizer que é um mês bastante recomendável se queres evitar enchentes de turistas. Bem sei que neste ano atípico o Gerês foi uma das principais escolhas para se passar as férias de verão. Mas acreditem, em setembro, com o começo dos anos letivos, a probabilidade de haver muita gente é diminuta. Mais ainda, e fica outra dica, apesar de as férias serem sinónimo de descansar, se querem aproveitar a magia do Gerês têm de fazer um esforço e manter uma rotina de se levantarem cedo, para que chegam às cascatas no máximo às 9h30. A partir dessa hora, seja o pico ou os últimos cartuchos do Verão, os números de visitantes tendem a aumentar.

Setembro foi sem dúvida uma óptima escolha e é quase certo que pelo menos na primeira quinzena do mês ainda se faça sentir muito calor.

Eu e o meu namorado, ficámos alojados 7 noites na aldeia rural da Ermida, em pleno coração do Gerês na Casa do Veado, que alugámos através da plataforma Top Gerês. Este alojamento está inserido no núcleo rural do lugar da Ermida e é ideal para quem procura a calma do campo com um preço atractivo. Este alojamento dá acesso a piscina, bar restaurante e diversas actividades em plena natureza mas o ponto forte é a proximidade das cascatas da Rajada, Thaiti e Arado, assim como do Miradouro da Pedra Bela.

Em baixo, dou-vos a conhecer em parte cada local que visitámos.

Cascata da Rajada

Localizada nas proximidades da aldeia da Ermida, esta cascata é uma das várias quedas de água que se encontram ao longo do curso do rio Arado.

A partir do Miradouro da Ermida, e atravessando a aldeia, são percorridos durante 30 minutos cerca de 2km em terra batida até encontrar a cascata. Pelo caminho, é possível fazer um desvio de 500 metros e visitar o Miradouro da Vela, basta seguir a sinalização.

Nesta cascata natural, não encontrei muitos turistas e o acesso à água deve ser sempre feito com precaução dado haver perigo de quedas durante o trajeto até esta piscina natural.

Bem perto do alojamento onde estávamos, é um excelente local para levar uma merenda e usufruir da sua beleza natural e águas refrescantes.

Cascata do Arado

Esta queda de água, situada a uma altitude de cerca de 900 metros, localiza-se no rio Arado, a cerca de 3km da aldeia da Ermida e a cerca de 8km da Vila do Gerês, em pleno coração do Gerês. Por entre as rochas, é criada uma sucessão de cascatas únicas, convidativo à prática de Canyoning, onde é possível explorar verticalmente estas quedas de água e estar ainda em maior contacto com a natureza.

O acesso a esta cascata é feito de carro, no entanto, o último quilómetro tem de ser feito a pé através de um caminho em terra batida até à ponte sobre o rio Arado. A partir daqui é necessário subir os degraus em pedra que nos levam a um pequeno miradouro no topo do qual é possível contemplar a cascata.

Apesar dos banhos serem desaconselhados nesta cascata, é impossível resistir. Nós fomos ainda mais aventurosos e subimos até às quedas de água na parte superior. Não é um trajeto difícil de se fazer, mas também não é o mais fácil e não é necessariamente o mais seguro. E fica a dica, se quiserem “reservar” esse lugar, têm de chegar à cascata nas horas que a maior parte das pessoas continua a dormir, tipo 9h.

Tenham sempre cuidado por causa dos pisos escorregadios e irregulares. Se tiverem a oportunidade levem daqueles sapatos para água.

Cascata de Fechas de Barjas (Tahiti)

A Cascata do Tahiti, como é vulgarmente reconhecida, localiza-se perto da aldeia da Ermida, cerca de 5 minutos de carro, na estrada que liga esta aldeia à localidade de Fafião (Montalegre).

As suas águas, como as cascatas anteriores, provêm do rio Arado e é uma das quedas d’água mais deslumbrante do Gerês. Por isso mesmo, foi, sem dúvida, das cascatas mais frequentadas, nesta nossa experiência.

O acesso até aqui tem de ser feito de carro, e os mesmos ficam estacionados literalmente à beira da estada. Depois, o acesso até às cascatas é feito a pé pela margem esquerda do rio. Desce-se por alguns minutos um caminho de terra batida e é necessário transpor um segundo rio, o Fafião, para chegar à parte inferior onde é possível visualizar toda a queda de água e é o local mais seguro para banhos. Notem que a transposição do rio Fafião está dependente do nível do seu caudal.

Trilho das Sete Lagoas

Este trilho tem o seu início na aldeia transmontana do Xertelo, localizada a cerca de 18 km da aldeia da Ermida, numa viajem de cerca de 40 minutos.

Existem duas opções para o percurso. Aquele que nós seguimos, foi o percurso circular, um pouco mais acentuado e com aproximadamente 12 km de extensão. O outro percurso, que corta na distância e na inclinação, é linear e vai e vem a partir da levada. Nesta opção o trajeto fica reduzido a cerca de 10 km.

Este é um trilho para ser planeado para aproveitar o dia todo, usufruir das paisagens únicas, da beleza natural, de cada uma das cascatas. Descansar, tomar banhos na água cristalina e de sol.

Cascata de São Miguel (Portela do Homem)

A cerca de 21 km da aldeia da Ermida (~40 minutos de carro) encontram-se, na realidade não só uma cascata da Portela do Homem, mas sim uma sucessão de pequenas quedas de água no rio Homem, a nascente da ponte, a 500 metros da fronteira com Espanha.

O acesso entre Leonte e a Portela do Homem (Mata de Albergaria) é condicionado ao trânsito e o estacionamento deve ser feito na zona de fronteira e depois caminhar até à zona da ponte. Adicionalmente, é paga uma taxa (2€ creio) de acesso à Reserva Biogenética da Mata de Albergaria, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Dado o tamanho desta piscina natural, nos meses de maior calor é provável que vá encontrar um grande aglomerado de pessoas. E apesar de haver muito espaço para umas braçadas há pouco espaço para estender uma toalha. O acesso à água através da descida das margens exige cuidados para evitar perigos de queda.

Termas de Lobios (Espanha)

Bem perto da Cascata da Portela do Homem, a cerca de mais ou menos 15 minutos de viagem de carro, fica a Vila de Torneros, já em terra de “nuestros hermanos”. Aqui, é possível conhecer e usufruir gratuitamente das termas de água quente em Lobios. Para irem a banhos, têm duas opções: uma pequena piscina termal e diretamente no rio Caldo. Aqui, o próprio leito do rio tem zonas de temperaturas diferentes, quentes e frias.

Toda a área envolvente permite estender uma toalha na relva, sentar-se à sombra junto às árvores e desfrutar de um belo piquenique. Deu também a entender que esta zona é um género de praia fluvial aberta ao público. Sem dúvida um local a visitar se estiveres a pensar ir ao Gerês.

Atenção, nós tivemos pouca sorte com a piscina de água termal, pois quando chegámos a mesma estava a ser limpa e só depois ia ser cheia com a água quente que provém da fonte termal. Realmente foi pena, porque na altura em que fomos (setembro) não estava muita gente de passagem por ali. Ficará para uma próxima!

Praia Fluvial do Alqueirão

IMG_8539_Fotor

Esta praia fluvial, a cerca de 20 minutos de carro da aldeia da Ermida, está situada na margem da albufeira da Caniçada, após a ponte que liga Rio Caldo à Vila do Gerês. É um ponto turístico também muito forte principalmente pela realização de várias atividades náuticas e insufláveis.

É o local ideal para relaxar junto à água, ao mesmo tempo que se contemplam as montanhas e vales em redor, a Marina do Rio Caldo e, na margem oposta, o Santuário de S. Bento da Porta Aberta.

Apesar de ser o palco de várias atividades náuticas, a praia não está dotada de nadadores salvadores ou outra vigilância. Sendo assim, é recomendada prudência em algumas zonas da albufeira e no seu acesso.

Miradouro da Pedra Bela

A 15 minutos de carro da aldeia da Ermida e localizado a 829 metros de altitude, encontra-se o Miradouro da Pedra Bela. Este é, talvez, o mais conhecido do concelho. A paisagem alcançada é uma ode à natureza, tendo como pano de fundo as pontes de Rio Caldo e toda a albufeira da Caniçada.

Aqui é possível usufruir da paisagem à sombra refrescante de cedros e bétulas e ainda fazer uma pausa para merendar nas várias mesas disponíveis. Neste local encontra-se um poema, “Pátria”, de Miguel Torga, alusivo à contemplação da vista:

“Serra!

E qualquer coisa dentro de mim se acalma…

Qualquer coisa profunda e dolorida,

Traída,

Feita de terra

E alma.

Uma paz de falcão na sua altura

A medir as fronteiras:

– Sob a garra dos pés a fraga dura,

E o bico a picar estrelas verdadeiras…


Espero que a partilha deste paraíso vos suscite curiosidade em querer conhecer esta beleza natural.


Deixe uma resposta