Descobrir Mafra

De Lisboa, partindo pela A8, são apenas 40 km que ligam a capital ao concelho saloio de Mafra. Numa viagem de cerca de 40 minutos, na chegada a este concelho há muito para visitar. Desde o Palácio e Convento de Mafra, um dos mais importantes palácios do país, à vila da Ericeira, bem conhecida pelos praticantes de surf, explora este roteiro num Oeste feito de mar e História.

Para quem planeia fazer esta visita a partir de Lisboa, poderá apanhar um autocarro da “Mafrense” no Campo Grande, cujo preço de bilhete ida-volta, a esta data, é de 7.80€.

Palácio Nacional de Mafra

“Então D. João, o quinto do seu nome, (…) levantou a voz para que claramente o ouvisse quem estava e o soubessem amanhã cidade e reino, Prometo, pela minha palavra real, que farei construir um convento franciscano na vila de Mafra se a rainha me der um filho no prazo de um ano a contar deste dia em que estamos, e todos disseram, Deus ouça vossa majestade (…).”

 “(…) lá vão aqueles com os carros de mão, outros subindo aos andaimes, uns levando a cal e a areia, outros, aos pares, transportando as pedras a pau e corda pelas rampas suaves, e os mestres-de-obra vigiando de bastão em punho, e os olheiros com o olho na diligência do operário e na perfeição do serviço. As paredes (…) são grossas como muralhas de guerra. (…) Desde que o sol nasce até que se põe, (…) setecentos, mil, mil e duzentos homens, carregam os carros com terra e pedras (…).”

Estes são dois excertos do “Memorial do Convento”, de José Saramago que de certa forma simbolizam o motivo pelo qual o convento foi construído e também a sua imponente edificação, levada a cabo por milhares de pessoas. 

Na fachada principal do Palácio é possível encontrar a Basílica, caracterizada pelos seus dois carrilhões, sinos e órgãos. Também conhecida pela sua dimensão é a Biblioteca, forrada com mais de 40 mil livros, arrumados e alinhados nas estantes sem fim. Encadernações em couro, gravadas a ouro, objetos valiosos, em cujas páginas se condensam séculos de conhecimento e cultura. Na biblioteca, são libertados morcegos, que por caçarem insetos, evitam que estes destruam os livros.

A entrada no Palácio e Convento de Mafra tem um custo de 6€ (bilhete normal) por pessoa e permite a visita à Arte Sacra e Núcleo Conventual, Paço Real e Biblioteca. Por motivos de conservação, não é permitido percorrer o espaço total da biblioteca. Aos domingos e feriados da parte da manhã (até às 14h00) a entrada é GRATUITA para visitantes residentes em Portugal.

Para uma visita adicional aos terraços (min. 5/máx.12 pessoas) será necessário pagar um extra de 5€ por pessoa e é necessário fazer marcação prévia.

Jardim do Cerco

Mesmo junto ao Convento, encontra-se o Jardim do Cerco, inspirado em Versailles. Por aqui, neste espaço com cerca de oito hectares, podemos encontrar caminhos largos, árvores com várias ramificações, espelhos de água, uma nora centenária ainda em funcionamento.

Se te estás a perguntar “o que é uma nora?”, fica aqui a resposta. É um engenho que movimenta as águas fornecidas pelas 32 nascentes da Tapada de Mafra através de uma extensão de 5 Km de condutas e aquedutos, minas de água e elementos de retenção e armazenamento, lagos, pias e cisternas, culminando, finalmente, no poço de pedra do Jardim do Cerco. Este sistema hidráulico funciona apenas pela força gravitacional da água.

Neste local, transição perfeita entre o monumental Palácio Nacional de Mafra e a vastidão da Tapada Real, podes encontrar uma hora peculiar – a Horta dos Frades, onde estão à vista as plantas utilizadas nos produtos medicinais. Também existe ainda um espaço denominado Horto das Aromáticas, que apresenta cerca de 39 espécies de plantas, como alecrim, alfazema e camomila, com utilização para fins medicinais e condimentares. Se tiveres curiosidade em saber mais, podes consultar o bilhete de identidade de cada planta, aqui.

Para terminar a visita a este local, completamente gratuita, é possível ainda aproveitar o espaço de merendas para fazer um piquenique, antes de continuar a descobrir a zona do Oeste.

No mês de julho, o Jardim do Cerco recebe o Festival do Pão, de entrada também gratuita, com tasquinhas, doçaria regional, mostra e venda de pão de Mafra, jogos tradicionais, artesanato e produtos regionais. O Festival inicia às 18h30 até às 01h00 e é possível também assistir a espetáculos de música.

Tapada de Mafra

Após a construção do Convento de Mafra, foi criada a Tapada Real – agora Tapada Nacional de Mafra – como parque de lazer e caça para o Rei e a sua corte. Na sua extensão de mais de 800 hectares, além de uma grande variedade de flora, alberga também muitos animais em liberdade, como veados, javalis, gamos, répteis e aves.

Neste local é possível não só fazer percursos pedestres, como outras atividades como praticar tiro com arco, passeios de comboio, passeios de burro, passeios de cavalo, exibições de aves de rapina, percursos de BTT, visitas noturnas e de amanhecer, caças ao tesouro e muitos outros. Os preços para entrar na Tapada e realizar alguma destas atividades pode variar entre os 4€ e 15€. Para mais informações acerca das atividades e preços praticados, sigam este link

Aldeia Típica de José Franco

Na pequena localidade do Sobreiro, entre Mafra e a Ericeira, situa-se uma das mais reconhecidas aldeias musealizadas do país, a Aldeia Típica de José Franco. Pode ser também conhecida por Aldeia-Museu José Franco, Aldeia Típica do Sobreiro ou simplesmente Aldeia Saloia.

O oleiro José Franco, em modo de homenagem à sua terra e às suas memórias, reconstruiu tudo o que caracteriza uma aldeia, mas em ponto mais pequeno. Uma réplica das antigas oficinas e lojas, dos espaços vividos, decorados e apetrechados por objetos reais, onde se reproduziam os costumes e atividades laborais intrínsecas à sua infância e à vida camponesa da região de Mafra.

Um espaço curioso e autêntico, para conhecer em família, totalmente gratuito. O horário de funcionamento é das 09h30 às 18h00, mais uma hora no horário de verão.

Aldeia da Mata Pequena

Outra aldeia típica saloia, situada a cerca de 15 minutos de Mafra é a Aldeia da Mata Pequena.

Aqui, com uma dúzia de casinhas, está um povoado rural, recuperado para o turismo. Compõem esta aldeia um conjunto de casas rasteiras, simples, rústicas, acolhedoras.

A Aldeia tem ao dispor um conjunto diverso de passeios com diferentes níveis de dificuldade. Por isso não hesite em trazer as botas de caminhada ou a bicicleta. Se preferir, pode andar a cavalo ou dar um passeio off-road num jipe, desde que reserve com antecedência.

Numa caminhada não muito longa, cerca de 2 km, podemos encontrar subir ao Penedo do Lexim, um vulcão já extinto onde existe um sítio arqueológico que oferece uma bela vista panorâmica. O caminho não está sinalizado mas não é difícil perceber qual a direção a seguir.

As reservas podem ser feitas diretamente no site da Aldeia da Mata Pequena, e a estadia pode variar entre os 75€ e 170€ por noite, dependendo da capacidade do alojamento.

Ericeira

No concelho de Mafra está localizada a vila da Ericeira, com dezenas de praias como São Lourenço, Coxos, Ribeira d`Ilhas, Matadouro, São Sebastião, Algodio, Pescadores, Sul, Foz do Lizandro e São Julião.

Para ninguém ir ao engano todas elas têm águas geladas, custa sempre entrar para dar um mergulho. Mas ei, água fria faz bem aos ossos malta. As praias são limpas e as águas límpidas. Em algumas delas, como por exemplo Ribeira d’Ilhas, Foz do Lizando e São Julião, a ondulação do mar convida ao surf e ao bodyboard. A Ericeira foi até classificada como Reserva Mundial de Surf. Desde essa nomeação que é justo dizer que esta vila se tornou mais turística e que cresceu em alojamento local.

Apesar das praias serem o sucesso da Ericeira, esta vila piscatória tem muito mais para conhecer. O melhor ponto de partida para qualquer passeio é a Praça da República, caracterizada pelas diversas esplanadas para descontrair, fazer compras nas lojas ou visitar o Centro de Interpretação da Reserva Mundial de Surf da Ericeira.

A dois passos, fica o belo edifício da Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva, antigo Casino da Ericeira. Nos arredores vale a pena visitar a Praia dos Pescadores, o Parque de Santa Marta, mesmo em frente ao mar, as inúmeras igrejas espalhadas pela vila e claro, os seus restaurantes, especializados em marisco e peixe fresco.

Na Praia dos Pescadores, por curiosidade, ocorreu um importante evento histórico: a 05 de outubro de 1910 o rei D. Manuel II partiu para o exílio aqui, no porto da praia dos Pescadores, enquanto em Lisboa se proclamava a República.

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